"Cartazes lembrando os atingidos foram levantados em frente à corte, que já ouviu advogados e vai decidir se a BHP será ou não processada no Reino Unido"
| (foto: Mateus Parreiras/EM/D.A Press) |
Depende agora do julgamento de três juízes do Tribunal de Apelação a decisão sobre o prosseguimento ou não da ação de 200 mil atingidos brasileiros representados pelo escritório internacional PGMBM, que querem processar no Reino Unido a empresa anglo-australiana BHP Billiton.
Ao lado da Vale, a BHP controla a Samarco, mineradora responsável pela barragem. Após uma semana de argumentações na corte, cabe aos magistrados decidirem em algumas semanas se a companhia pode ser julgada no país pela destruição que a ruptura do barramento trouxe à Bacia Hidrográfica do Rio Doce, entre Minas Gerais e o Espírito Santo. A indenização seria de cerca de 5 bilhões de libras (R$ 31 bilhões).
Nessa sexta-feira (8/4), último dia de julgamento, os advogados da BHP descreveram os esforços de reparação da empresa aos atingidos por meio da Fundação Renova, apontando que a Justiça estaria ao alcance de qualquer brasileiro e que um processo na Inglaterra duplicaria ações já em curso no Brasil.
Por outro lado, os advogados dos atingidos, do escritório internacional PGMBM, mostraram que, mais de seis anos depois do rompimento, não há em curso um processo indenizatório que abranja as vítimas no Brasil e possibilite uma total compensação.
Entre os atingidos, são representados nessa ação 25 municípios mineiros e capixabas, incluindo Mariana – cidade mais devastada e que chegou a ter dois povoados praticamente dizimados pela lama –, cinco autarquias, seis instituições religiosas e 530 empresas de diferentes portes.
CIDADES EM ESPERA
Na Inglaterra, o prefeito de Mariana, Juliano Duarte, planeja investimentos de curto e logo prazos com a verba que pode ser conquistada caso o processo seja aceito e julgado no Reino Unido.
“Vejo que Mariana chegaria a um outro patamar. Gostaria de priorizar alguma áreas, como o nosso sistema de abastecimento e distribuição de água da cidade e o tratamento de 100% do esgoto do município”, afirma o chefe do Executivo municipal.
Juliano afirma que também prioriza projetos habitacionais e a criação de um fundo de investimento para depositar recurso.
“Gerenciado esse fundo, com os lucros podemos financiar políticas públicas. É importante implementar ações urgentes, mas é igualmente importante pensar no futuro. Um fundo seria muito interessante para garantir esse poder de investimentos”, afirma.
Juliano Duarte diz considerar que o prosseguimento da ação na Inglaterra seja uma questão de justiça.
“As coisas caminham bem na corte do Reino Unido, ao contrário do Brasil, onde não se tem uma perspectiva de reparação. Foi um trabalho que começou no passado (2018) com o ex-prefeito de Mariana, Duarte Júnior – irmão de Juliano, e agora estamos unidos com os prefeitos da bacia hidrográfica. Sabemos que se a ação for aceita na Inglaterra teremos uma chance maior de justiça, já que no Brasil as questões caminham muito aquém das necessidades dos atingidos. O reconhecimento trará benefícios não apenas a Mariana, mas a todos os municípios afetados, pessoas físicas e jurídicas. Temos de reconhecer e parabenizar os advogados desta causa, pois até aqui fizeram um brilhante trabalho”, considera o prefeito.
O prefeito de Galileia, Juarez da Silva Lima, o Jujuba, afirma que mesmo a 600 quilômetros do local do rompimento em Mariana, o município, margeado pelo Rio Doce, foi devastado pela onda de rejeitos.
"Tivemos um prejuízo imensurável. Pegou-nos de surpresa, nem acreditava que a lama chegasse. Psicologicamente, foi duro. Muitos pescadores vendo os peixes e o rio de onde tiravam o sustento morrendo. Hoje, estamos esperançosos. A ação no Reino Unido é uma oportunidade única para trazer a reparação para a comunidade. Não estamos na Inglaterra atrás de dinheiro. Estamos atrás de justiça, que não temos no Brasil. O dinheiro é importante para trazer alento para a região. Somos de uma região pobre, nosso município é muito carente, temos muitos habitantes que são pessoas humildes”, definiu o prefeito.
Por Ua Clauhs via em.com.br

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